Às amigas e demais interessadas na história de uma crossdresser desde criança: resolvi contar minha trajetória de vida, começando por memórias da infância, numa época já um tanto distante, pois quando comecei a querer me montar para imitar mulheres e me sentir feminina, eu era ainda criança. Difícil dizer o que realmente me motivou, mas creio que talvez tenha sido o incentivo - por incrível que possa parecer - da minha própria família, quando por brincadeira, me disseram para vestir a anágua da minha mãe (popularmente conhecida como saiote), uma peça que não existe mais no vestuário feminino, pois sua função era evitar que a saia ficasse transparente, sendo a primeira peça vestida por baixo da segunda.
Antiga peça do vestuário feminino, a anágua
Acho que esse fato ocorreu bem cedo, por volta de quatro anos de idade, talvez. E lembro que isso acabou me incentivando e fazendo com que eu improvisasse vestimentas e produção femininas tal como eu podia, naqueles tempos de infância, em uma casa do tradicional bairro do Ipiranga, em São Paulo capital. Eu costumava usar lençóis, o que havia à mão, quando a roupa estava para ser lavada no quartinho onde havia a máquina de lavar, ao lado do tanque, o qual era chamado de lavanderia. Lembro de improvisar saias, vestidos, cabelos compridos, e até mesmo uma barriga de grávida. Muitos anos depois, falando com uma psicóloga com quem fazia terapia, ela me recordou de um fato bem simples, que a maior expressão da feminilidade é a gravidez.
E além disso, não havia como não sentir excitação sexual com o fato. Tudo era muito natural, e a ereção acontecia muito cedo, de forma espontânea e inevitável. Numa época distante, em que havia bastante censura e a questão sexual ainda era meio que tabu, apesar de já existir um certo decurso de tempo que a revolução sexual havia ocorrido, porém, no Brasil daquele período, que ainda vivia uma ditadura, e o moralismo era muito acentuado, o sexo não era bem visto pelos setores conservadores da sociedade, inclusive por minha família. Lembro de uma foto de nudez em uma popular revista de então, talvez Manchete ou Cruzeiro, e ante minha curiosidade, depois de um tempo, por ser uma das últimas folhas da referida publicação, ela foi arrancada, para evitar que eu questionasse a respeito da tão natural nudez do corpo humano.
Acredito que em revistas de carnaval, não me recordo direito se em casa mesmo ou em visita à casa de amigos ou conhecidos, muito provavelmente essa segunda hipótese, acabei folheando alguma revista e vendo cenas de maior nudez e erotismo, dentro do que era permitido na época, e ficado com curiosidade a respeito da nudez ou seminudez feminina, especialmente em épocas de carnaval. Via algumas mulheres de biquinis menores ou até mesmo fio dental ou tapa sexo, o que não era tão comum naqueles tempos tanto quanto é hoje, ou se tornou após a popularização do biquini fio dental. Sim, e para colocar ainda mais lenha na fogueira da minha feminilidade, além da saia ou vestido improvisado, enfiei a cueca no bumbum, para procurar imitar um tapa sexo, tal como havia visto nas revistas, e a ereção fortíssima ocorreu. Lembro que foi uma sensação maravilhosa, embora o fato mais do que natural, diante da ignorância de minha família, fosse tratado como um bicho de sete cabeças, tal como seria qualquer outro fato ligado ao assunto.

vc lembra com que idade vc sentiu vontade de se vestir de mulher?
ResponderExcluireu no meu caso comecei com uns 8 para nove anos
Foi cedo, por volta dessa idade, cinco ou seis anos. E lembro de ter visto homens vestidos de mulher, todos produzidos, dançando o Can Can, em um programa de TV, e achei o máximo. Eu me tranquei no banheiro e procurei imitar. Foi por aí também, com uns sete anos.
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