sábado, 3 de janeiro de 2026

A Minha Trajetória Como Crossdresser Sáfica - Que Sente Atração por Mulheres



 Às amigas e demais interessadas na história de uma crossdresser desde criança: resolvi contar minha trajetória de vida, começando por memórias da infância, numa época já um tanto distante, pois quando comecei a querer me montar para imitar mulheres e me sentir feminina, eu era ainda criança. Difícil dizer o que realmente me motivou, mas creio que talvez tenha sido o incentivo - por incrível que possa parecer - da minha própria família, quando por brincadeira, me disseram para vestir a anágua da minha mãe (popularmente conhecida como saiote), uma peça que não existe mais no vestuário feminino, pois sua função era evitar que a saia ficasse transparente, sendo a primeira peça vestida por baixo da segunda.

Antiga peça do vestuário feminino, a anágua

Acho que esse fato ocorreu bem cedo, por volta de quatro anos de idade, talvez. E lembro que isso acabou me incentivando e fazendo com que eu improvisasse vestimentas e produção femininas tal como eu podia, naqueles tempos de infância, em uma casa do tradicional bairro do Ipiranga, em São Paulo capital. Eu costumava usar lençóis, o que havia à mão, quando a roupa estava para ser lavada no quartinho onde havia a máquina de lavar, ao lado do tanque, o qual era chamado de lavanderia. Lembro de improvisar saias, vestidos, cabelos compridos, e até mesmo uma barriga de grávida. Muitos anos depois, falando com uma psicóloga com quem fazia terapia, ela me recordou de um fato bem simples, que a maior expressão da feminilidade é a gravidez.

E além disso, não havia como não sentir excitação sexual com o fato. Tudo era muito natural, e a ereção acontecia muito cedo, de forma espontânea e inevitável. Numa época distante, em que havia bastante censura e a questão sexual ainda era meio que tabu, apesar de já existir um certo decurso de tempo que a revolução sexual havia ocorrido, porém, no Brasil daquele período, que ainda vivia uma ditadura, e o moralismo era muito acentuado, o sexo não era bem visto pelos setores conservadores da sociedade, inclusive por minha família. Lembro de uma foto de nudez em uma popular revista de então, talvez Manchete ou Cruzeiro, e ante minha curiosidade, depois de um tempo, por ser uma das últimas folhas da referida publicação, ela foi arrancada, para evitar que eu questionasse a respeito da tão natural nudez do corpo humano.

Acredito que em revistas de carnaval, não me recordo direito se em casa mesmo ou em visita à casa de amigos ou conhecidos, muito provavelmente essa segunda hipótese, acabei folheando alguma revista e vendo cenas de maior nudez e erotismo, dentro do que era permitido na época, e ficado com curiosidade a respeito da nudez ou seminudez feminina, especialmente em épocas de carnaval. Via algumas mulheres de biquinis menores ou até mesmo fio dental ou tapa sexo, o que não era tão comum naqueles tempos tanto quanto é hoje, ou se tornou após a popularização do biquini fio dental. Sim, e para colocar ainda mais lenha na fogueira da minha feminilidade, além da saia ou vestido improvisado, enfiei a cueca no bumbum, para procurar imitar um tapa sexo, tal como havia visto nas revistas, e a ereção fortíssima ocorreu. Lembro que foi uma sensação maravilhosa, embora o fato mais do que natural, diante da ignorância de minha família, fosse tratado como um bicho de sete cabeças, tal como seria qualquer outro fato ligado ao assunto. 

Provavelmente o único modelo de tapa sexo (ou fio dental) que existia na década de 1970


2 comentários:

  1. vc lembra com que idade vc sentiu vontade de se vestir de mulher?
    eu no meu caso comecei com uns 8 para nove anos

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  2. Foi cedo, por volta dessa idade, cinco ou seis anos. E lembro de ter visto homens vestidos de mulher, todos produzidos, dançando o Can Can, em um programa de TV, e achei o máximo. Eu me tranquei no banheiro e procurei imitar. Foi por aí também, com uns sete anos.

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