Embora ame de paixão estar no feminino, na maior parte do meu tempo estou no masculino, porque não sou Crossdresser durante as 24 horas do dia, já que trabalho, e nele a aceitação não seria fácil, e porque as pessoas já estão acostumadas comigo desse jeito. Seria um trabalhão ter que explicar. E na internet, em redes sociais, apareceram perguntas do tipo: "mas você é crossdresser e não gosta de homens?" Respondi que não, simplesmente porque sempre senti atração por mulheres e por feminilidade, inclusive já experimentei ficar com homem, e não gostei. Eu era adolescente, tinha um fogo enorme, como é normal nessa fase, e surgiu um gay passivo que ficou insistindo para eu ficar com ele, e acabei ficando, mas fui ativo, como era naquela fase, e em nenhum momento quis ser passivo com ele. Sempre senti essa vontade só quando estava com mulheres, e pronto, se as pessoas não quiserem compreender, que não compreendam.
Bem, mas voltando para os tempos atuais, continuamos vivendo em um mundo machista, disso ninguém duvida.
Mas, como não estou com muita vontade de escrever um texto longo agora, vejo que, quando estou andando na rua, no masculino, ou em um local público e uma mulher resolve flertar comigo, e se pelas mais diversas razões, eu não estiver a fim, porque rua não é balada, nem aplicativo de relacionamento, e se eu não estiver equivocada, porque há lugar para tudo, a reação demonstrada é de ela se sentir indignadinha. Mas, se fosse o contrário, tudo bem. E se eu insistisse, seria assédio.
Essa é uma situação recorrente. Acho muito engraçadas as reações das mulheres. Por vezes, se eu sentei perto, não significa que estou a fim. Posso ter me sentado perto completamente sem querer, como aconteceu na Parada LGBT+ de 2026, eu só estava procurando um lugar tranquilo, debaixo do sol quente, para tomar a água que havia acabado de comprar. E não estava no feminino. Não sou muito de ficar em lugares com multidões, e o ambiente não tão bem organizado como eu gostaria não me caiu muito bem. Foi a primeira vez em que tomei coragem para ir, porque conheci pessoas LGBT+ no meu trabalho. Antes, não tinha coragem.
Não fui lá para flertar, como parecia não ser o caso de algumas pessoas, fui apenas para saber, pessoalmente, como era a Parada LGBT+. Desta vez, não foi tão legal quanto eu esperava, e sim, duas moças estavam super apressadas, e quiseram me atropelar, caminhando. Volto na questão, se fosse o contrário, um homem encostando nelas, alguma já poderia dizer que "é falta de respeito", "assédio" ou outra coisa qualquer. Não há como caminhar rápido naquela Av. Paulista. Quem quisesse chegar a algum lugar rápido, teria que andar em uma rua paralela, e se encaminhar para o local desejado, quando estivesse no próprio quarteirão. Nos tempos atuais, todos tem celulares e não custa olhar. Acho simples essa questão.
Será que as mulheres cis, trans, ou até homens gays não se tocaram ainda, que eu não tenho a obrigação de querer alguma coisa, com elas ou eles, naquele momento? Trabalho, tenho minhas questões a resolver, tanto dele, como fora dele, muitas vezes, se estou na rua, não é passeando, é para resolver alguma coisa, não tenho o costume de ficar andando nas ruas caçando ninguém. Mesmo porque muitas pessoas não são amigáveis, eu tenho uma certa fobia social, porque na minha vida, já me deparei com diversas pessoas desagradáveis, começando pela família de onde vim. Se, por parte desta, já não havia simpatia, compreensão e acolhimento a mim enquanto me apresentava no masculino, imagino se fosse no feminino. Jamais iriam querer compreender.
Depois continuo, o começo já está aqui. Melhor será quando lerem. E se sou ácida demais, muitas vezes, e reconheço, é porque o mundo não é acolhedor.
Beijinhos da Roberta Monique Vermont.





